Papa recorda 7 anos da visita a Lampedusa com Missa na Santa Marta e é iniciada a Rede Clamor Brasil


Nesta quarta-feira, no aniversário de 7 anos de sua primeira viagem realizada em 8 de julho de 2013, na ilha símbolo do sofrimento de muitos migrantes no Mediterrâneo, o Papa Francisco celebrou uma Missa na capela da Casa Santa Marta, na qual tomaram parte somente os funcionários da Secção Migrantes e Refugiados do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, em virtude dos cuidados da Cidade do Vaticano com a COVID 19.


O Santo Padre, clamou por Justiça para Migrantes e Refugiados, para que a Igreja continue sendo comprometida com essa causa e que o mundo se sensibilize para o flagelo desses irmãos e irmãs que sofrem.

Segundo o Vaticano News, “Também neste ano o Papa Francisco quer recordar nesta Missa o aniversário de sua visita a Lampedusa, a ilha entre a Tunísia e a Itália, em frente a um trecho de mar, o "Canal da Sicília" que, ao invés de ser um caminho de esperança, transformou-se em um caminho de morte para milhares de migrantes. Em uma entrevista recente ao Serviço Pastoral dos Migrantes, Pe. Fabio Baggio, da Secção Migrantes e Refugiados, ressaltou a missão da Igreja em difundir os verbos que o Papa Francisco traz para refletirmos e agirmos nesta ano, que marca o sétimo aniversário de sua visita a Lampedusa e que move o dia Mundial dos Migrantes e Refugiados, no seu Centésimo Sexto Ano. Padre Fabio nos diz: “Forçados, como Jesus Cristo, a fugir.” Nos remete a pensar os desafios pastorais ao qual somos chamados a responder. Depois dos quatro verbos indicados pelo Papa: acolher, proteger, promover e integrar. A eles, o Papa gostaria de acrescentar seis pares de verbos que traduzem ações muito concretas, interligadas numa relação de causa-efeito, diz assim na exortação:

  • É preciso conhecer para compreender. O conhecimento é um passo necessário para a compreensão do outro. (Lc 24, 15-16). Frequentemente, quando falamos de migrantes e deslocados, limitamo-nos à questão do seu número. Mas não se trata de números; trata-se de pessoas!

  • É necessário aproximar-se para servir . Isso soa, como algo obvio, porém não é. Tomemos como exemplo o Samaritano, já diz o Papa Francisco, ( Lc 10, 33-34). Os receios e os preconceitos – tantos preconceitos – mantêm-nos afastados dos outros e, muitas vezes, impedem de "nos aproximarmos" deles para os servir com amor.

  • Para reconciliar-se é preciso escutar. O exemplo, vem de Deus, é Ele que ouve os clamores e gemidos do seu Povo, e de tanto Amor, entregou seu filho ao Mundo. ( Jo 3, 16.17). “O amor, que reconcilia e salva, começa pela escuta.”

  • Para crescer é necessário partilhar. ‘A primeira comunidade cristã teve, na partilha, um dos seus elementos basilares: "A multidão dos que haviam abraçado a fé tinha um só coração e uma só alma. Ninguém chamava seu ao que lhe pertencia, mas entre eles tudo era comum" ( At 4,32). Deus não queria que os recursos do nosso planeta beneficiassem apenas alguns.

  • É preciso coenvolver para promover. Efetivamente, assim procedeu Jesus com a mulher samaritana (cf. Jo 4, 1-30). O Senhor aproxima-Se, escuta-a, fala-lhe ao coração, para então a guiar um novo caminho. Se queremos verdadeiramente promover as pessoas a quem oferecemos ajuda, devemos coenvolvê-las e torná-las protagonistas da sua promoção.

  • É necessário colaborar para construir . Isto mesmo recomenda o apóstolo Paulo à comunidade de Corinto: "Peço-vos, irmãos, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que estejais todos de acordo e que não haja divisões entre vós; permanecei unidos num mesmo espírito e num mesmo pensamento" ( 1 Cor 1, 10). A construção do Reino de Deus é um compromisso comum a todos os cristãos. Não há tempo para egoísmos , se queremos construir a casa comum.

REDE CLAMOR BRASIL: É dentro deste contexto que no dia 26 de junho de 2020, convocados pela CNBB, na pessoa de Dom Joel Portela Secretário Executivo e do Assessor da Comissão Episcopal Pastoral para Ação Sócio-transformadora Frei Olavo Dotto, em conjunto com as instituições que já participavam da Rede Clamor, que se formou este momento singular na história das redes de proteção e promoção dos migrantes e refugiados no Brasil. “A iniciativa pretende fortalecer a articulação nacional e qualificar a participação do Brasil na Rede Clamor na América Latina e Caribe” (É o que nos fala a Cáritas Brasileira em sua matéria). Na matéria da Cáritas Brasileira, registramos também o que diz a assessora nacional de Migração e Refúgio, Cristina dos Anjos. "A Rede Clamor é vinculada ao Celam, que é o Conselho Episcopal da América Latina e Caribe. Aqui no Brasil, a Rede Clamor deve também estar vinculada a Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB). Houveram diálogos com dom Joel Portella Amado, secretário geral da CNBB e com dom Walmor Oliveira de Azevedo, presidente da CNBB. Todos eles concordaram que sim, 'vamos criar a Rede Clamor Brasil'. Então, esse grupo (que propôs) foi fazendo as discussões, pensando como seria, convocando as organizações pra essa primeira reunião", disse. "O fato de a gente aproveitar para criar a Rede Clamor Brasil, também é um gesto concreto da Semana dos Migrantes". "Isso vai favorecer o fortalecimento dessa ação, e aumentar a possibilidade de os trabalhos estarem mais articulados e integrados, e algumas ações serem pensadas já a partir da Rede", finalizou. Para Dom José, bispo de referencia do Setor da Mobilidade Humana da Comissão Socio-transformadora da CNBB e presidente do SPM, é muito importante a nossa iniciativa na integração das ações da Igreja na América Latina e Caribe. Roberto Saraiva, membro da coordenação colegiada executiva do Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM), relatou na matéria de Cáritas. "O chamamento da CNBB, na pessoa de dom Joel Portella, dá o cunho da comunhão eclesial e o pertencimento dessa rede. E isso é algo muito significativo, pela importância do Brasil no cenário das migrações como um todo, e fortalece o papel da Igreja na sua opção pelos mais vulneráveis. Será um espaço muito rico, de debates, de busca de soluções conjuntas e de criação de pautas coletivas levando sempre em conta a defesa do Migrante e Refugiado e seu protagonismo na sociedade", afirmou. "Outro aspecto, que o SPM quer dar ênfase, é que neste cenário, no Brasil, embora já tivesse instituições dentro da Rede Clamor, elas representavam em si, suas redes. Neste novo contexto do nascimento da Rede Clamor no Brasil, podemos dizer que damos seguimento a uma tendência e fortalecemos a Rede Clamor nos países, sendo um elo aglutinador na Igreja da América Latina e Caribe", Enfim neste dia, do sétimo ano da viagem de Francisco a Lampedusa, embora muitos desafios ainda sejam emblemáticos, o verbo Esperançar é nossa bussola e a missão é estar sempre em comunhão. E por está razão continuaremos esse processo no dia 23 de julho de 2020, em uma nova reunião, com o objetivo de dar sequência a estruturação da Rede Clamor Brasil.


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